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O sultão e o "sarrafi"

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“Descer o sarrafo” é um jeito bem-humorado de se referir a opiniões duras de comunicadores. Contudo, após visitar Omã e lá ser apresentado a todos como o “sarrafi” (jornalista em árabe) do Brasil, a expressão passou a me evocar também simpatia. Isso porque os receios de desembarcar numa região marcada por conflitos bélicos e religiosos sumiram logo que provei a hospitalidade dos súditos do sultão Qaboos bin Said al-Said (1940-2020). Como enviado especi al do Correio Braziliense , a convite do governo omani, cheguei à capital Mascate em abril de 2014 para confirmar um momento especial do pequeno país no extremo sul da Península Arábica. As suas iniciativas para modernizar e diversificar a atividade econômica – até hoje concentrada em petróleo, gás e tâmaras – e ampliar presença no comércio global atraíam projetos de multinacionais como Vale, Petrobras e BRF. As experiências que tive em um dos últimos sultanatos do mundo, muito distante culturalmente do Ocidente, foram inesquecíveis....

Curvelo por Audálio Dantas

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“Tempo de reportagem: Histórias que marcaram época no jornalismo brasileiro” (Leya, 2012), livro do premiado jornalista alagoano Audálio Dantas (1929-2018), compila grandes 13 reportagens dele. Entre elas está a “Oh, Minas Gerais!”, publicada no número 47 da revista Realidade, de janeiro de 1970. O texto do brilhante repórter narra em detalhes a vida cotidiana de CURVELO no ano do tricampeonato de futebol. Ele também faz notas pessoais sobre sua investida no sertão mineiro. Veja o trecho: “Em Curvelo, a praça moderna, com monumento, concha acústica, laguinho, fonte luminosa e tudo mais, é um orgulho para os 43.000 habitantes. (...) A meninada aderiu à minissaia e até ao biquíni. E tem uma boate, o Caldeirão, que ferve à noite e dá uma concorrida vesperal aos domingos, par a a turma que não consegue autorização dos pais para a esticada noturna. Quem inventou o Caldeirão foi Ernesto Ricardo, dentista, diretor de clube, jornalista, promotor de concursos de miss e dono de um time de fute...

Sorte, azar ou técnica?

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No anoitecer de recente domingo, no Shopping SP Market, São Paulo, topei com uma cena que ilustra a percepção que o público tem sobre sucessos da vida. Em torno de gigante máquina de pegar gigantes bichinhos de pelúcia, uma pequena multidão ovacionava o jogador que se mostrava obstinado e adestrado na missão. Após cinco tentativas bem endereçadas, a garra içou o troféu fofo, erguido em seguida pela namorada e torcedora-mor dele. Naquele momento em que me senti como protagonista de Toy Story diante do foguete do Pizza Planet ouvi com atenção os comentários e reações dos espectadores. O consenso ali era de que o feito glorioso de pescar a boneca estofada resultara de uma mistura de estratégia com sorte. As falhas, por sua vez, refletiam instantes preparatórios da conquista com pitadinhas de infortúnio. Ao final, a audácia do herói de botão e joystick mereceu fortuna. Essa brincadeira, garantem os donos do equipamento de entretenimento, é desafiante e não um caça-níqueis. Isso porque ela ...

O furo da bolha digital

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O comércio eletrônico está presente na vida de bilhões de pessoas. Mas lá nos estertores do século 20, a novidade do tal e-commerce ainda excitava a curiosidade do público, alavancava vertiginosa oscilação de mercados e coabitava com relutantes céticos. Nós, jornalistas, abordávamos essa pauta também apresentando: líderes empresariais estreantes, marcas inovadoras e promissores modelos de consumo. Tudo junto e misturado na esfuziante progressão da Bolha da Internet. Estávamos cobrindo futuros no presente. Para integrar o grupo de repórteres brasileiros desbravadores da Nova Economia, fui convidado pelo diretor Mario Alberto de Almeida em 1999 a migrar da sucursal da Gazeta Mercantil em Florianópolis para a redação principal em São Paulo. A minha missão era liderar a cobertura desse setor em construção e que prometia “mudar tudo”. O desafio começava com as estranhas siglas para definir as vendas online de produtos e serviços (B2C), os intercâmbios empresais (B2B) e as transações entre...

Sobre assessoria em RIG/Relgov

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Entrevistado por alunas de um curso de graduação em Relações Públicas de São Paulo sobre a minha atual condição profissional, fiz o seguinte depoimento. Sou jornalista há mais de 30 anos e, nos últimos sete, tenho me dedicado à área de relações institucionais e governamentais, também conhecida por RIG ou Relgov. Essa minha incursão se deu após eu ingressar, como servidor comissionado, no Senado Federal, assessorando dois parlamentares.  Formei-me em Comunicação Social, habilitação em Jornalismo, em 1991, pela PUC Minas. Ao migrar para a assessoria parlamentar, naturalmente busquei me capacitar em RIG, na perspectiva de ampliar meus horizontes para áreas como lobby e análise de conjuntura política ou regulatória. Por isso cursei o MBA de Relações Institucionais em 2017, pelo Ibmec-DF. Pensava em ir para a área de assessoria governamental? Se sim, por quê? Sim. A larga experiência como jornalista com foco em coberturas de economia e política me animou a buscar novas oportunidades...

A audácia da engenharia brasileira

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As persistentes mazelas do Brasil, como a profunda desigualdade social e a carência de infraestrutura, acabam ofuscando seus gigantescos feitos, que desafiaram o ceticismo do mundo. A engenharia brasileira foi audaciosa ao ponto de tornar possível o impossível à época. Bem mais que a arquitetura espetacular de Brasília, da ponte Rio-Niterói, da usina termonuclear de Angra e da hidrelétrica de Itaipu, temos histórias ímpares de audaciosos engenheiros brasileiros. Vou me ater a exemplos que ouço d esde criança, sobre projetos que foram classificados previamente como inviáveis por especialistas do Primeiro Mundo e que há décadas nos orgulham. A primeira “loucura” foi o Lago Paranoá, no Distrito Federal. Contrariando a opinião de gringos, Juscelino mandou fechar a barragem em 1959 e o cartão postal se formou. Onde morava 100 famílias hoje navega a maior frota naval do país fora da costa. Muito antes dessa teimosia histórica de nossos engenheiros, houve outra no ramo ferroviário há mais de ...

O longevo brilho das estrelas

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A pandemia da Covid-19 arrefece mundo afora e abre alas para a retomada de rotinas de trabalho, estudo e lazer. As aglomerações de shows de artistas estão entre os mais festejados efeitos do resgate de normalidades, mas há nelas um detalhe ainda mais encorajador. Em homenagem à resiliência e como mensagem de esperança, estrelas idosas brilham nos palcos. No último domingo (1º), Silvio Santos, maior mito da televisão brasileira, voltou a apresentar seu programa após o afastamento iniciado em agosto de 2021. Aos 91 anos, ele levantou a audiência do SBT e emocionou fãs. Um dia antes, o ator e cantor Tony Tornado, de mesma idade, cantou no palco do Caldeirão, na Rede Globo, com vozeirão vibrante, para surpresa geral. Prestes a completar 80 anos, em 18 de junho, Paul McCartney fez na última quinta-feira (28) o seu retorno às turnês. Afastado da estrada desde julho de 2019, o sempre inquieto, criativo e laborioso beatle gravou um álbum solo, tocando todos instrumentos em estúdio próprio,...