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Mostrando postagens de junho, 2026

Do início ao "sim"

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A vida pode ser contada como travessia entre duas palavras. A primeira é o não – da dúvida, do medo, da insegurança, da impossibilidade presumida. A segunda é o sim – da tentativa, da disposição, da coragem de agir apesar de riscos. Entre uma e outra, desenrola-se o que somos e o que realizamos.   Poucas pessoas percebem o quanto suas falas revelam a arquitetura invisível de seus pensamentos. O vocabulário cotidiano costuma estar repleto de pequenas armadilhas verbais que se repetem sem que lhes demos atenção. “Não vai dar certo”. “Mas é difícil”. “Talvez eu não consiga”.   Tais expressões podem soar prudência ou realismo. Em excesso, contudo, tornam-se autossabotagem. O “não” sempre surge antes mesmo da análise de fatos, fechando portas sequer abertas. Já o “mas” serve de constante resistência, freio acionado quando a iniciativa começa a ganhar velocidade.   Temos ainda o “talvez”. Embora útil em certas circunstâncias, ele pode se converter na morada confortável pa...

Batalha aérea colorida

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Entre julho e agosto dos anos 1970 e 1980, os céus de Curvelo viravam o palco de uma batalha aérea tão bela quanto imprevisível. O seu azul seco do inverno mineiro era invadido por dezenas de pipas coloridas, feitas de papel de seda, varetas de bambu, cola e barbante. As pequenas obras de arte flutuavam sobre a cidade. Os meninos exibiam as suas criações com legítimo orgulho. Havia papagaios (era assim que chamávamos) de todos tamanhos e cores, alguns com longas rabiolas que serpenteavam ao vento. Mamãe sabia fazer umas pipas legais. Vencia não só quem alcançava maior altura e lá ficava mais tempo, mas também os criativos. Empinar pipa era um aprendizado coletivo. Os mais experientes ensinavam os iniciantes a escolher o bambu correto, equilibrar a armação, amarrar o cabresto e interpretar os caprichos das correntes de ar. Cada voo bem-sucedido era motivo de comemoração. Cada queda, uma lição para a próxima tentativa. Simples assim. Mas os céus não eram apenas espaço de contemplaç...

Pela janela do crtão postal

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  Um dos hábitos mais duradouros que cultivei ao longo da vida foi o de colecionar cartões postais. De cada cidade visitada a trabalho ou por turismo, de cada capital onde morei, de cada canto que me despertou encantamento, procurei levar comigo aquela pequena janela de papel. Era uma forma de garantir que as imagens mais belas, acabadas e pitorescas daqueles lugares sobrevivessem ao desgaste da memória. O cartão postal funcionava como um documento afetivo, testemunha de jornadas, descobertas e emoções. Algo valioso para se guardar. Os colecionadores costumam dizer que um bom cartão postal não mostra só um lugar, mas um sentimento. Talvez por isso nunca tenha me limitado aos vendidos em bancas e lojas de souvenires. Também recolhi os dados por restaurantes, hotéis, museus e pontos turísticos. Vieram ainda os promocionais, artísticos, publicitários e até os que pareciam pequenas obras de arte impressas, reproduzindo peças famosas ou não. Foram centenas deles, capturados em aer...