Uma galáxia na cabeça
Desde a simplicidade de uma placa de “aberto” na porta de uma loja até a densidade monumental de Guerra e Paz , de Liev Tolstói, a linguagem escrita é o máximo da nossa expressão. Independentemente da forma, toda escrita nasce de um sistema complexo de impulsos elétricos que percorre bilhões de células nervosas da nossa massa cinzenta. O quilo e meio de cérebro humano, descrito por cientistas como a obra mais engenhosa e sofisticada do planeta Terra, levou milhões de anos para ser construída e refinada. É, literalmente, uma galáxia que carregamos dentro da caixa craniana. Apesar disso, há quem ache que atravessamos tempos de incerteza para essa maravilha natural em nossas cabeças. Com a ascensão meteórica da Inteligência Artificial (IA), surgem rumores de uma substituição avassaladora do ato de raciocinar, especialmente o de escrever, pela automatização. O espírito do menor esforço, a busca pela velocidade e o desejo de parecer mais eficiente criam uma ilusão de que podemos t...