O calorzão nosso de cada dia
Sílvio Ribas Curvelo é uma cidade quente. Bem mais que Belo Horizonte e menos que Montes Claros. Pelo menos essa era a nossa geografia térmica de crianças e adolescentes naqueles escaldantes anos 70 e 80. Vivíamos sob a impressão de que fazia 40 graus quase todo santo dia. E enfrentávamos o calor com roupas, alimentos, casas e costumes de um tempo sem ar-condicionado. Para mim, a maior prova das elevadíssimas temperaturas da cidade natal estava dentro dos carros estacionados sob o sol inclemente. Uma caneta esferográfica esquecida junto ao para-brisa podia entortar até virar um rabo de porco. Brinquedos de plástico amoleciam. Discos de vinil se deformavam. Entrar num carro depois do almoço exigia coragem: pareciam uma fornalha. Para quem podia, o jeito era correr que nem índio para os ribeirões ou mergulhar nas piscinas da Praça de Esportes, dos clubes e de poucos lares, ao menos nos fins de semana. Quem não podia esperava pelos meninos vendedores do picolé Sibéria e pelos sucos ...