Amor escrito com Paper Mate
A Livraria e Papelaria Castro Alves não era só uma loja. Era uma instituição afetiva da Curvelo dos anos 1970 e 1980, um território encantado onde se misturavam papel, tinta, plástico, conhecimento e emoção. Entrar ali era entrar em um mundo de descobertas, sonhos e pequenas felicidades. A elegância de dona Terezinha Avelar ajudava a compor aquele cenário. Sempre impecável, sorridente e perfumada, ela transformava uma simples compra de folhas pautadas em uma experiência memorável. Muitos ainda recordam o cheiro dos cadernos, livros e embrulhos até chegar em casa. Situada no coração da cidade, a Castro Alves era mais que ponto comercial. Funcionava como referência cultural e intelectual de Curvelo. Por isso, o seu desaparecimento deixou vazio que jamais foi preenchido, como se uma parte da memória coletiva tivesse fechado as portas junto com a sua vitrine. Foi ali que conheci uma pequena joia da escrita. Em um universo dominado pelas onipresentes canetas Bic, transparentes e...