Batalha aérea colorida
Entre julho e agosto dos anos 1970 e 1980, os céus de Curvelo viravam o palco de uma batalha aérea tão bela quanto imprevisível. O seu azul seco do inverno mineiro era invadido por dezenas de pipas coloridas, feitas de papel de seda, varetas de bambu, cola e barbante. As pequenas obras de arte flutuavam sobre a cidade. Os meninos exibiam as suas criações com legítimo orgulho. Havia papagaios (era assim que chamávamos) de todos tamanhos e cores, alguns com longas rabiolas que serpenteavam ao vento. Mamãe sabia fazer umas pipas legais. Vencia não só quem alcançava maior altura e lá ficava mais tempo, mas também os criativos. Empinar pipa era um aprendizado coletivo. Os mais experientes ensinavam os iniciantes a escolher o bambu correto, equilibrar a armação, amarrar o cabresto e interpretar os caprichos das correntes de ar. Cada voo bem-sucedido era motivo de comemoração. Cada queda, uma lição para a próxima tentativa. Simples assim. Mas os céus não eram apenas espaço de contemplaç...