O guardião do jardim secreto
Existem imagens que não apenas habitam a memória, mas fundam em nós um território sagrado. No passado profundo da minha infância em Curvelo, nenhuma sentinela era tão imponente quanto aquele leão de pedra. Sentado sobre o pedestal que coroava a pilastra do portão, ele não era apenas um adorno dos anos 1930; era o guardião absoluto de um mundo que se escondia atrás dos muros de um casarão na arborizada Avenida Pedro II. Havia um espelhamento de realeza ali: dois leões, um em cada coluna, vigiando a entrada daquela moradia que, aos olhos de uma criança de imaginação fértil, abrigava um jardim de inverno repleto de segredos enterrados. Para mim, aquele pequeno grande ornamento não perdia em glória para os quatro leões de bronze da Trafalgar Square, em Londres; era o meu marco atemporal, um ícone de pedra encravado no coração do sertão mineiro. Lembro-me das histórias que minha mãe contava sobre um velho personagem da cidade. Ele caminhava até ali, detinha-se diante das feras estáticas, ol...