Robôs humanoides e humanos robotizados
Dos autômatos imaginados por Ovídio e Leonardo da Vinci aos robôs de Karel Čapek, a humanidade sonha criar máquinas à sua imagem. Isaac Asimov levou o dilema à ficção científica. Agora, a lerta A. Trevor Sutton, a IA incorporada transforma fantasia em convivência cotidiana. O risco é que, enquanto humanizamos robôs, passemos a robotizar humanos. Sutton recorre a Alasdair MacIntyre: práticas moldam virtudes. Ao adaptar comportamentos às máquinas, eficiência, otimização e produtividade podem ocupar o espaço de compaixão, paciência e misericórdia. Há outro preço possível: terceirizar à IA memória, pesquisa, escrita e raciocínio pode reduzir o exercício cognitivo e estimular dependência. Na dimensão afetiva, estudos já relacionam solidão, autoconfissão e percepção de empatia ao maior apego emocional aos chatbots. A fronteira, portanto, não separa apenas homens de humanoides, mas humanos autônomos de humanos robotizados. Pesquisa com 7 mil pessoas em quatro países encontrou mais de um...