Personagens de uma Curvelo
Uma das vantagens de ter nascido no século passado numa cidade do interior é guardar na memória personagens que soam folclóricos, mas que compõem a nossa identidade. Eram pessoas simples, conhecidas por todos, que faziam a paisagem humana tão marcante quanto ruas, praças e igrejas. Na Curvelo dos anos 1970 e 1980, o meu querido berço mineiro, bastava caminhar pelo centro para encontrar figuras inesquecíveis. Cada qual levava um jeito próprio de viver, um apelido e um ofício. Eles, mesmo sem figurar da História oficial, seguem vivos na lembrança de quem cresceu por ali. Entre esses personagens estava o homem encarregado de varrer a Praça da Matriz de Santo Antônio e imediações. Para enfrentar o sol impiedoso do sertão, usava um enorme chapéu de palha, que chamávamos de sombrero. Sua alcunha era Mô Fi, porque era assim que se dirigia a todos: “Mô fi...”. Havia também o velho carroceiro e os seus filhos, que destoavam do tipo físico predominante da cidade. Tinham pele muito clara, c...