A insalubridade jornalística
Sílvio Ribas A combinação de foco permanente em assuntos palpitantes, estresse contínuo sob a pressão dos horários, concorrência profissional acirrada, longas jornadas e frequente desleixo com a vida pessoal criou, para o jornalista de outros tempos — em especial entre os homens —, um terreno fértil para o surgimento de doenças. O alcoolismo vinha à frente, quase sempre acompanhado do tabagismo e de toda a cadeia de enfermidades que dele decorrem. O tema ainda carrega certo tabu, mesmo depois da profunda transformação das redações, que passaram de ambientes hostis à saúde para espaços mais confortáveis e adequados às exigências do trabalho moderno. Não foram poucos os colegas talentosos e brilhantes que tive o privilégio de conhecer e com quem trabalhei, ceifados pela insalubridade acumulada daqueles anos. Perdas silenciosas, quase sempre naturalizadas à época. Iniciei minha carreira no fim dos anos 1980, integrando uma geração de transição entre os que escreviam em máquinas de escreve...