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As batidas dos sinos da Basílica

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  Crescer na Rua Sete de Setembro, no coração de Curvelo, era viver em um compasso marcado pelo bronze. Eu habitava o intervalo entre dois marcos espirituais – a Matriz de Santo Antônio e a Basílica de São Geraldo. Quando o cair da tarde se impunha, o ar da cidade não apenas esfriava. Ele vibrava. Os carrilhões começavam o seu diálogo às 18 horas. De um lado, a Basílica majestosa dedicada ao santo italiano tão venerado pelo nosso povo; do outro, a Matriz, casa do real padroeiro do município, o português no qual enxergava fortes conexões da alma de Portugal em meu berço sertanejo. Para muitos, o toque dos sinos, seguido do som da Ave Maria, de Bach, era sinal de que a jornada terminava. Para mim, aquele era o som da melancolia incontornável — sentimento crepuscular partilhado pelo amigo Nixon Diniz. Eram badaladas do poema “Ó Sino da Minha Aldeia”, de Fernando Pessoa. Soando dentro de minh’alma, os repiques se fundem ao cenário de sombras que se alongavam pelas calçadas e vida...