As batidas dos sinos da Basílica
Os carrilhões começavam o
seu diálogo às 18 horas. De um lado, a Basílica majestosa dedicada ao santo
italiano tão venerado pelo nosso povo; do outro, a Matriz, casa do real
padroeiro do município, o português no qual enxergava fortes conexões da alma
de Portugal em meu berço sertanejo.
Para muitos, o toque dos
sinos, seguido do som da Ave Maria, de Bach, era sinal de que a jornada
terminava. Para mim, aquele era o som da melancolia incontornável — sentimento crepuscular
partilhado pelo amigo Nixon Diniz. Eram badaladas do poema “Ó Sino da Minha
Aldeia”, de Fernando Pessoa.
Soando dentro de minh’alma, os
repiques se fundem ao cenário de sombras que se alongavam pelas calçadas e
vidas. Havia tristeza mansa na luz que se esvaía, luto diário pelo dia que não
voltaria mais. O som dos sinos parecia carregar saudade dos que já se foram,
como “dobre de finados” dos antigos.
Cada pancada metálica era
lembrete da fragilidade de nossas esperanças. Elas eram frágeis e, ao chegar da
noite, iam adormecer, guardadas para o amanhã incerto. Na Curvelo da minha
infância e adolescência (1970-1980), o tempo não era medido por ponteiros, mas pelos
assaltos de melancolia.

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