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Chutes no Chaco

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Sílvio Ribas Por que o maior jornal de economia do país me levou a cobrir, no exterior, um jogo amistoso entre seleções? Explico já. Albino Castro, então editor do Viagens & Negócios, caderno semanal de turismo da Gazeta Mercantil, me designou no início de 1998 para cumprir uma missão especial: “mostrar o Paraguai além do comércio de importados”, espantando preconceitos e detalhando o lado legal (nos dois sentidos) do país. Correspondente em Belo Horizonte, fui exultante a São Paulo receber pessoalmente minha primeira pauta internacional. Fora indicado pela editora Marília Cesar, que via em mim um repórter sensível aos detalhes, perfil tido como ideal para o desafio. O diretor de redação, Mario Almeida, brincou que a escolha se deveu às minhas “afinidades com o interland”. Logo que saí do aeroporto de Assunção, a imagem que me impactou primeiro foi a majestosa sede da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) e sua gigantesca fonte em forma de bola na entrada. Por...

A bancada outsider

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Sílvio Ribas O Senado Federal está experimentando sua maior renovação em quase 200 anos. O índice de cadeiras disputadas na eleição deste ano que ganharam novos titulares alcançou históricos 85%. E destes 54, apenas oito ainda ficarão com reeleitos. As outras 46 serão ocupadas por senadores novos. Mas a grande novidade mesmo está com os nove estreantes na vida parlamentar, catapultados para o Congresso após poucos meses de campanha. Esses novatos em cargos eletivos formarão, a partir de 2019, uma informal e heterogênica bancada, a turma dos outsiders. Emergidos das urnas no embalo do crescente engajamento on-line de cidadãos, eles querem ser personagens ativos da nova era política do país e não apenas uma personificação do atual momento marcado por mudanças radicais. Os escolhidos este ano para a Casa Revisora que nunca haviam sido eleitos antes são: Leila do Vôlei (PSB-DF), Fabiano Contarato (Rede-ES), o primeiro senador assumidamente gay; Marcos do Val (PPS-ES); Juíza Se...

Não deixe a política morrer

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Sílvio Ribas A ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), e a procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, uniram-se à cantora Alcione para interpretar o clássico “Não deixe o samba morrer”. O inusitado momento, ocorrido no último dia 20 de agosto, durante um seminário em Brasília, viralizou nas redes sociais. Aquele refrão me inspirou, contudo, a fazer uma paródia com apelo mais cotidiano que o sugerido pela canção. Não deixe a política morrer, não deixa a política acabar. Nossa democracia foi feita de política, da política para nos libertar. Brado isso com a plena consciência de que os políticos do país jamais foram tão repelidos como agora. Mas sinto-me igualmente impelido a alertar para o risco de a aversão geral aos detentores de mandato popular ceifar a nobre atividade política. “A democracia é a pior forma de governo existente, exceto todas as outras”, ensina a frase eternizada por Winston Churchill em 1947. Os dois últimos séculos consagraram o ...

Quebra de paradigmas

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Sílvio Ribas A história com H maiúsculo não acabou. Muito já se analisou e muitos dados gerados pelas eleições 2018 ainda carecem de interpretação. Mas num primeiríssimo momento da ressaca das urnas, entendo o seguinte: 1) Os eleitores escolheram novo rumo para a economia com forte sinal liberalizante, o maior já visto no país pela via democrática. Basta saber que um Chicago Boy de matriz chilena chegou lá. 2) O poder no Executivo e Judiciário tem um novo arranjo nacional e novos em nível regional. 3) O cinturão vermelho de resistência do “ancien régime” representada pela bancada do PT na Câmara dos Deputados e pelas pelas votações em Haddad no Nordeste (estendido ao Pará) desafia o novíssimo status quo. Até que ponto a aposta na força do capitalismo suplantará o assistencialismo e o populismo? 4) O PSDB se esfarinhou e não consegue mais polarizar com o PT. João Doria, quem melhor captou o sinal dos tempos emitido desde as grandes manifestações de 2013, atestou ...

30 anos da Constituição Cidadã

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Sílvio Ribas A Constituição completou seu trigésimo aniversário no último dia 5 de outubro e a celebração do conjunto de leis que consolidou a superação do regime autoritário de 1964 também pode vir acompanhada de profunda reflexão. Na véspera das eleições, os cidadãos estarão próximos de escolher o seu futuro. Nesse momento decisivo cabe avaliar também o quanto se avançou com o “documento da liberdade, da dignidade, da democracia”, como Ulysses Guimarães descreveu a Lei Maior no discurso de promulgação. Trinta anos e sete presidentes da República depois, a Carta Magna de 1988 mostrou resistência após percorrer ciclo marcado por grandes conquistas, mas também de sucessivas crises políticas e econômicas. Sob a sua égide já se completou o mais longo período democrático da história do Brasil. Os duros testes aplicados sobre o marco legal do país pós-redemocratização revelaram a força dos princípios básicos da República, como a liberdade de expressão e a soberania popular....

A nova matriz política

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Sílvio Ribas Após as urnas do segundo turno se esfriarem e caso elas confirmem Jair Bolsonaro (PSL) como presidente eleito, deveremos ver a tentativa de se construir uma forma alternativa de se fazer política no país, sintonizada com o perfil do capitão reformado. A partir de falas, atitudes e sinalizações feitas pelo candidato e pelos seus companheiros mais próximos ao longo da campanha até aqui, é de deduzir que estaríamos a caminho de uma relação mais personalizada e menos institucional entre os poderes Executivo e Legislativo. Nela, o chefe do Executivo buscaria costurar o entendimento com parlamentares, um a um, pessoal e diretamente, sem olhar a cor partidária. Uma das sinalizações dessa inflexão, termo que Bolsonaro passou a usar com frequência, é o apoio que ele recebeu em bloco de bancadas temáticas e multipartidárias da Câmara dos Deputados: a Evangélica e a Ruralista, além da afinidade que tem com o grupo parlamentar a favor da revogação do estatuto do armamento,...

Embrapa, 45 anos

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Sílvio Ribas É com entusiasmo que está se celebrando 45 anos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Embrapa. Neste tempo de festa devemos ressaltar o papel estratégico da estatal para o desenvolvimento econômico e social do país, sendo ela a prova mais evidente de que investir em conhecimento é, sim, uma forma eficaz de gerar riqueza para toda a nação. O investimento firme e contínuo em pesquisa mudou a perspectiva de desenvolvimento do campo. E a busca por inovação para o setor agropecuário – com formação de recursos humanos, estudos em rede e foco nos problemas – trouxe resultados fantásticos. O objetivo da Embrapa garantir segurança alimentar para o Brasil. As conquistas, contudo, foram muito além. Hoje, o país é potência agrícola sustentável, prestes a atingir a liderança global. Em quatro décadas, a oferta de carne foi quadruplicada e a de frango, ampliada em 22 vezes. A produção de grãos saltou incríveis 555%, ampliando a área plantada em só 163%. As cr...