quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Mineiros de Jobim

Sempre repito com ardor bairrista que, se o maestro soberano Antonio Carlos Jobim tivesse nascido em Minas, poderia dizer com todo o orgulho do mundo que os três maiores gênios do Brasil seriam mineiros. Ele, juntamente com Pelé (o Edson) e Alberto Santos Dummont, formaria o trio mais influente vindo do berço esplêndido. Por feliz coincidência, topei esta manhã com um vídeo curtinho na web (G1), um trecho de um documentário sobre o autor de músicas clássicas da Bossa Nova, no qual o próprio se dizia um apaixonado pela obra de dois mineiros das letras, os maiores da prosa (João Guimarães Rosa) e da poesia (Carlos Drummond de Andrade). Ele se confessava influenciado por eles e acreditava inspiração nesses homens e na terra desses homens para compor Matita Perê. O famoso "É pau, é pedra..." teria matéria-prima extraída da Minas profunda. Lá vem o meu bairrismo de novo. E pra fechar, ainda ouço naquele citado vídeo um Jobim cinquentão recitando versos belíssimos de Drummond, em homenagem ao bardo de Itabira:

"Meu Deus, essência estranha
ao vaso que me sinto, ou forma vã,
pois que, eu essência, não habito
vossa arquitetura imerecida;
meu Deus e meu conflito,
nem vos dou conta de mim nem desafio
as garras inefáveis: eis que assisto
a meu desmonte palmo a palmo e não me aflijo
de me tornar planície em que já pisam
servos e bois e militares em serviço
da sombra, e uma criança
que o tempo novo me anuncia e nega."

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

COP15: vamos aos FLATOS!

Uma verdade pra lá de inconveniente. Os ruminantes estão destruindo o planeta. As discussões da conferência mundial do clima, que ocorre por duas semanas em Copenhague, na Dinamarca, parecem ter dado com os burros n'água. Mas pelo menos uma grande revelação emergiu, a de que o gás metado produzido pelas vacas e bois é o maior responsável pelo aquecimento global. Seu impacto equivale a uma vez e meia a dos automóveis movidos a combustíveis fósseis. Além disso, os bovinos respondem por 51% dos gases de efeito estufa lançados na atmosfera. Essa informação, sublinha pelo Banco Mundial (Bird), já seria suficente para mudar a pauta do encontro de 198 países na capital dinamarquesa. Nunca o vegetarianismo se tornou tão positivo à saúde do planeta ao defender o sinal vermelho para a carne vermelha. Prova disso é a do ex-beatle Paul McCartney, que anda postando na web imagens de animaizinhos sendo torturados em abatedouros. Como sertanejo, é duro dizer isso, mas, além de ajudar tremendamente a enloquecer o clima global, a pecuária está fazendo outro papel de vilão ambiental quando avança sobre áreas florestais. Esse é outro dilema para o Brasil, líder mundial em proteína animal, que já vinha figurando no quarto lugar entre os maiores poluidores da atmosfera justamente por conta das queimadas na Amazônia.

Ato de contrição, Salve Rainha...

Nossa dura formação católica perdida no tempo, no espaço e na rotina moderna. Não sei se as crianças de hoje têm isso, mas na minha infância o catecismo era obrigatório, uma preparação para os sacramentos conscientes, como Primeira Comunhão e Crisma. Lembro de um livrinho, mas próximo de uma cartilha de bolso, com capa de papel de seda vermelho. Era nossa versão do bem do livrinho ideológico de Mao (da revolução cultural chinesa). Nele, havia uma descrição básica dos preceitos da Santa Igreja, o Credo nosso de cada dia (ressureição da carne era um deles), os tais sacramentos (na época se falava em extrema unção ainda e não unção dos enfermos, por exemplo) e orações. Pai Nosso e Ave Maria todo mundo (católico) sabe. Mas os caducólicos como eu já não se lembram mais de outras rezas até então fundamentais como Salve Rainha (Vida doçura, esperança nossa... algo assim) e Ato de Contrição. Elas eram cobradas da gente na escola, até a oitava série, salvo engano. Espero que a tradição religiosa deixe pelo menos um legado na gente, o princípio humanista da fé cristã. É difícil até hoje não atirar a primeira pedra. É muito fácil julgar os outros. Feliz Natal. Amém.

sábado, 31 de outubro de 2009

As meninas de Velazques

Além da beleza do quadro e do seu conteúdo explicitamente autoreferente, ou melhor dizendo, metalinguístico, esse quadro me lembra a infância. Na casa onde passei meus primeiros 17 anos havia reproduções de grandes obras nas paredes, metade delas de mestres impressionistas. A outra metade havia clássicos como esse de Velásquez. Tinha também, salvo engano, as meninas de Rembrandt, cujos originais estão no Masp, salvo engano too/two.

O mais belo poema (em) português

...pela mais bela voz portuguesa. O Infante, de Fernando Pessoa, cantado pela lusitana Dulce Pontes. Inesquecível. A música sempre vem à mente. Quem não conhece, vale a pena pesquisar no Youtube. Agora! (http://www.youtube.com/watch?v=V5hg13UxI7c) Além da foto de Pontes, la Dulce, vou colocar aqui também o tal poema tão português quanto universal. Sei que Elba Ramalho fez uma versão pro projeto dos 500 anos do descubrimento do Brasil, mas não ficou tão bom (na minha opinião) quanto esta que vos brando.

O Infante

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Viva la vida!


Confesso que sempre me recomendaram, mas ainda não conhecia ainda. Mas o clipe de Viva la Vida (letra abaixo, com tradução), me chamou a atenção e me levou a pesquisar. Deixo registrado aqui esse sucesso da inovadora banda Coldplay.

I used to rule the world
(Eu dominava o mundo)
Seas would rise when I gave the word
(Os oceanos se abriam quando eu ordenava)
Now in the morning and I sleep alone
(Agora pela manhã durmo sozinho)
Sweep the streets I used to own
(Varro as ruas que já foram minhas)

I used to roll the dice
(Eu costumava jogar os dados)
Feel the fear in my enemy's eyes
(Sentia o medo nos olhos dos meus inimigos)
Listen as the crowd would sing
(Ouvia enquanto o povo exclamava
“Now the old king is dead! Long live the king!”
(“Agora o velho rei está morto! Vida longa ao rei!”)

One minute I held the key
(Em um minuto eu segurava a chave)
Next the walls were closed on me
(No outro as paredes se fechavam em mim)
And I discovered that my castles stand
(E eu então descobri, que meus castelos se apóiam)
Upon pillars of salt and pillars of sand
(Sobre pilares de sal e pilares de areia)

I hear Jerusalem bells are ringing
(Eu escuto os sinos de Jerusalém tocando)
Roman Cavalry choirs are singing
(Os corais da cavalaria romana estão cantando)
Be my mirror, my sword and shield
(Seja meu espelho, minha espada e escudo)
My missionaries in a foreign field
(Meus missionários em um campo desconhecido)

For some reason I can't explain
(Por algum motivo eu não sei explicar)
Once you go there was never
(Desde que você se foi, nunca mais houve)
Never an honest word
(Nunca houve uma palavra honesta)
That was when I ruled the world
(E foi quando eu dominava o mundo)

It was the wicked and wild wind
(Foi um vento estranho e forte (que)
Blew down the doors to let me in
(Derrubou as portas para me deixar entrar)
Shattered windows and the sound of drums
(Janelas estilhaçadas e o som de tambores)
People couldn't believe what I'd become
(As pessoas não acreditavam no que eu havia me tornado)

Revolutionaries wait
(Os revolucionários esperam)
For my head on a silver plate
(Pela minha cabeça numa bandeja de prata)
Just a puppet on a lonely string
(Apenas um fantoche numa corda solitária)
Oh who would ever want to be king?
(Oh, quem desejaria tornar-se um rei?)

I hear Jerusalem bells are ringing
(Eu escuto os sinos de Jerusalém tocando)
Roman Cavalry choirs are singing
(Os corais da cavalaria romana estão cantando)
Be my mirror, my sword and shield
(Seja meu espelho, minha espada e escudo)
My missionaries in a foreign field
(Meus missionários em um campo desconhecido)

For some reason I can't explain
(Por algum motivo eu não sei explicar)
I know Saint Peter won't call my name
(Eu sei que São Pedro não chamará meu nome)
Never an honest word
(Nunca houve uma palavra honesta)
But that was when I ruled the world
(E isso foi quando eu dominava o mundo)

Oh, oh, oh, oh, oh

Hear Jerusalem bells are ringing
(Escute os sinos de Jerusalém tocando)
Roman Cavalry choirs are singing
(Os corais da cavalaria romana estão cantando)
Be my mirror, my sword and shield
(Seja meu espelho, minha espada e escudo)
My missionaries in a foreign field
(Meus missionários em um campo desconhecido)

For some reason I can't explain
(Por algum motivo que não sei explicar)
I know Saint Peter won't call my name
(Eu sei que São Pedro não chamará meu nome)
Never an honest word
(Nunca houve uma palavra honesta)
But that was when I ruled the world
(Foi quando eu dominava o mundo)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Músicas de Padre Zezinho


Nostalgia pura. As músicas vieram à minha cabeça e fui procurar a letra na internet. Eram as canções que cantávamos na Igreja e na Escola, lá pelos anos 1970 e 1980.

Amar como Jesus Amou

Um dia uma criança me parou
Olhou-me nos meus olhos a sorrir
Caneta e papel na sua mão
Tarefa escolar para cumprir
E perguntou no meio de um sorriso
O que é preciso para ser feliz?

Amar como Jesus amou
Sonhar como Jesus sonhou
Pensar como Jesus pensou
Viver como Jesus viveu
Sentir o que Jesus sentia
Sorrir como Jesus sorria
E ao chegar ao fim do dia
Eu sei que dormiria muito mais feliz

Ouvindo o que eu falei ela me olhou
E disse que era lindo o que eu falei
Pediu que eu repetisse, por favor
Mas não falasse tudo de uma vez
E perguntou num meio di um sorriso
O que é preciso para ser feliz?

Amar como Jesus amou
Sonhar como Jesus sonhou
Pensar como Jesus pensou
Viver como Jesus viveu
Sentir o que Jesus sentia
Sorrir como Jesus sorria
E ao chegar ao fim do dia
Eu sei que dormiria muito mais feliz

Depois que eu terminei de repetir
Seus olhos não saíram do papel
Toquei no seu rostinho a sorrir
Pedi que ao transmitir fosse fiel
E ela deu-me um beijo demorado
E ao meu lado foi dizendo assim

Amar como Jesus amou
Sonhar como Jesus sonhou
Pensar como Jesus pensou
Viver como Jesus viveu
Sentir o que Jesus sentia
Sorrir como Jesus sorria
E ao chegar ao fim do dia
Eu sei que dormiria muito mais feliz


Este Pranto Em Minhas Mãos

Muito alegre eu te pedi o que era meu parti, num sonho tão normal.
Dissipei meus bens e o coração também, no fim meu mundo era irreal.
Confiei no teu amor e voltei, sim aqui é meu lugar,
eu gastei teus bens ó pai e te dou este pranto em minhas mãos.
Mil amigos conheci disseram adeus caiu, a solidão em mim.
Um patrão cruel levou-me a refletir meu pai, não trata um servo assim.
Nem deixaste-me falar da ingratidão, morreu no abraço mal que eu fiz.
Festa, roupa nova, anel, sandália aos pés.
Voltei a vida, sou feliz.
Confiei no teu amor e voltei, sim aqui é meu lugar,
eu gastei teus bens ó pai e te dou este pranto em minhas mãos.

Alécio for a change

O coador, a voz e a poesia

por Alécio Cunha

Os lábios se movem lentamente. Com cuidado e paciência, dá para contemplar o mínimo instante em que a pontinha da língua ultrapassa a fronteira da boca, voltando rapidamente à sua geografia de origem.
Bom mesmo é ouvir o resultado desses movimentos sutis, quando a voz entra em cena, burilando a brevidade do momento.
É a carne da linguagem, cerne que brota histórias, fruto de verdades alheias e construção, metamorfose a partir das vivências dos outros.
Contar uma história não é ato fácil. Antes de mais nada, é resultado de longo processo de assimilação cultural, onde o coração de quem conta deve estar intimamente ligado ao de quem ouve.
Simbiose gestada pela escola dos afetos, de repente, estamos diante de um êxtase, ludibriados pela aventura da língua, fala que seduz, ora sintética, ora demorada.
E como é gostoso ser enveredado por estas trilhas.
O ouvinte permanece sem eira, nem beira, à deriva de um vestígio qualquer.
A linda moça que conta sua história, os cabelos negros e olhos de jabuticaba madura, não usa só a potencialidade da voz para extrair da história todo seu amálgama de fúria e delicadeza. O corpo, inteiriço, se insinua, abrindo leques à pluralidade da narrativa.
As mãos, ágeis, tiram da sacola o pó de café e o surrado coador. É impossível trazer ao terreno do escrito a emoção daquela narrativa. Dois objetos que se tornam amigos inseparáveis, sendo que os fragmentos de um, moléculas e átomos do outro, apostam em um amor híbrido e pulsante.
Esta história, apesar dos pessimistas de plantão, sempre muitos, tem, claro, um final feliz. Um dia, o pó de café chega à finitude frágil daquele pacote. O coador, amarrotado, ganha a ênfase do abandono.
Até que um dia, esses objetos tão sujeitos, transformados em um só, o pedaço de pano cheio de minudências de café, viram um prosaico vaso de flores, pura poesia.
P.S: Para Aline Cântia, por saber narrar.

Postado no site do Hoje em Dia em 6 de Outubro, 2009

Beatle notes

1. YELLOW SUBMARINE. A Walt Disney anunciou um acordo com a empresa dos Beatles, a Apple Corps, para filmar um remake em 3D do filme O Submarino Amarelo da banda, ampliando a presença do quarteto no século 21. O presidente do Disney Studios, Dick Cook, disse que o novo Submarino Amarelo será dirigido por Robert Zemeckis usando o mesmo efeito de captura de movimento utilizado em Expresso Polar. O longa terá 16 canções dos Beatles e gravações da animação original, licenciada pela Sony/ATV Music Publishing LLC e pela EMI Capitol Records. Não foi divulgada a data de lançamento. O filme original, sobre uma comunidade submersa pacífica, amante da música, que é atacada pelos "blue meanies" que detestavam a música, foi lançado nos Estados Unidos em 1968 e dirigido por George Dunning. O projeto da Disney dá continuidade ao lançamento mundial esta semana de álbuns remasterizados dos Beatles e de um jogo interativo de videogame sobre a banda.

Clipping tardio de A Tarde

Matéria veiculada no Jornal A Tarde do dia 20.07.2008

Proposta de mudar pára no Senado

SÍLVIO RIBAS E HELGA CIRINO
sribas@grupoatarde.com.br hcirino@grupoatarde.com.br

A comoção pública causada por situações graves em que adolescentes são agentes da violência – como o assassinato do menino João Hélio, de 6 anos, arrastado em 2007 pelo cinto de segurança de um carro durante um roubo no Rio de Janeiro – mobilizou a Câmara Federal para votar rapidamente um conjunto de projetos de reforço à segurança pública. Nesse pacote estava incluída a diminuição da imputabilidade penal, de 18 para 16 anos. Após um esforço relâmpago, no entanto, a tramitação do projeto perdeu o fôlego. Desde abril do ano passado, o Senado aguarda a inclusão do tema na pauta, depois de ter sido discutido pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO), um dos defensores da redução da idade penal, declarou que a medida é insuficiente para resolver o problema da violência. “A punição para os crimes graves no ECA é ridícula, mas também queremos modificar a punição para crimes cometidos por adultos”, disse. Torres é autor do projeto, feito a partir de seis propostas de emenda à Constituição, que prevê a redução da idade penal para 16 anos. No campo contrário, a senadora Patrícia Saboya (PSB-CE), que integra a frente parlamentar, tenta impedir a redução da maioridade penal e cobra do Estado brasileiro políticas sociais previstas pelo Estatuto, que inibiriam o avanço da violência entre jovens.

A coordenadora da Frente Parlamentar da Criança e do Adolescente, deputada Maria do Rosário (PT-RS), avalia que não se podem minimizar as infrações cometidas por crianças e adolescentes, mas a participação de adultos em crimes é muito maior, além de provocar estragos maiores. “O ato de um adulto é sempre consciente e, portanto, pleno de punição”. A Frente Parlamentar aproveitou o aniversário de 18 anos do ECA, completados último domingo, para lançar 18 compromissos nessa área para que os candidatos a prefeito e vereador pelo País analisem e assumam o compromisso de colocá-los em prática, caso sejam eleitos. São sugestões para saúde, educação, lazer, cultura, esportes e enfrentamento da violência doméstica, exploração sexual e trabalho infantil. A plataforma também concede prioridade de votação às 18 propostas que transitam na Câmara e Senado tratando de direitos da criança e adolescente.

NAS RUAS – Mesmo 18 anos após ter entrado em vigor, os artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) ainda levantam muitas discussões e opiniões polêmicas. A mais fervorosa de todas é sobre redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Enquanto entidades de defesa dos direitos das crianças e instituições do Estado apostam em medidas de amenização dos danos aos adolescentes que praticaram atos infracionais, sete entre dez entrevistados na ruas de Salvador por A TARDE se disseram a favor de rigor na penalização dos jovens que cometem crimes hediondos como previsto na Proposta de Lei que tramita no Congresso Nacional, para reduzir a idade penal de 18 para 16 anos.

“Podem votar, podem também responder pelos crimes que cometem”, afirmou a donade-casa Marília Soares Pires, 25. Quem já foi vítima, vai mais além: “Quando eles entram no ônibus para assaltar se portam como adultos. No último roubo que fui vítima um menino colocou a arma na minha cabeça, ele não tinha mais que 15 anos”, indignouse o vendedor Fábio Soares, 36. Ele revelou já ter sido alvo de adolescentes três vezes. “Não venha me dizer que eles não têm consciência do que fazem”.