A lancinante dor da Benzetacil
O injetável leitoso e
espumoso em frascos grossos e tampas emborrachadas aterrorizava crianças e até
adultos. Será por isso que o nome dele começava com benze? Antes do branco ser
injetado, ouvíamos a recomendação de não contrair os glúteos, sob risco de a
agulha quebrar e penetrar o corpo.
Poucos medicamentos entraram
tão profundamente no imaginário popular brasileiro. Por décadas, bastava ouvir Benzetacil
para muita gente lembrar logo da injeção doída, associada às amigdalites e ao
temor dos consultórios. Além do folclore, está algo ainda visto como estratégico
pela medicina.
O nome comercial mais
conhecido do antibiótico benzilpenicilina benzatina, derivado da penicilina, foi
criado para agir lentamente e combater certas bactérias. Diferentemente de
comprimidos tomados por vários dias, ele tinha ação prolongada e continuava
atuando no nosso corpo por semanas.
Associado ao tratamento de
amigdalites bacterianas e faringites causadas por estreptococos, serve para
muita coisa. Lembro de uma colega minha da Escola Alcides Lins que tomou por
anos a velha “benza” como prevenção da febre reumática, que poderia lhe
provocar lesões cardíacas permanentes.
Os médicos dizem que a dor
intensa vem da injeção intramuscular profunda e pela consistência espessa da
medicação. Profissionais de saúde chegam a aplicar anestésico local, como
xilocaína, para aliviar o desconforto. “Tomar Benzetacil” virou adágio para sofrimento
inevitável ou solução drástica.
Depois de semanas de
tratamento, com picadas em casa, na maioria das vezes, e no Hospital Santo Antônio,
eu e meu irmão nos curados de uma infecção contraída, segundo especulações, na areia
contaminada, palco de brincadeiras.

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