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Sobre Seu Jota, da Farmácia Jota

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Alfredo Marques Vianna de Goes, redator do jornal Centro de Minas , durante a direção de Altino Argemiro Júnior, queria escrever sobre a figura de João Camilo de Oliveira Penna, conhecido como Seu Jota. No entanto, por respeito à família Oliveira Penna, que tinha grandes expoentes da intelectualidade, o redator sentiu-se inseguro em assumir o trabalho sozinho. Então, ele encorajou várias pessoas a escreverem sobre o tema, até que encontrou Mauro Moreira, que ficou empolgado com a ideia e acabou escrevendo a biografia de Seu Jota. O redator conheceu o biografado desde criança, quando ele era farmacêutico e amigo de sua mãe. Seu Jota foi um pioneiro no desbravamento de uma região sertaneja, onde havia falta de médicos e remédios, e trabalhadores de todas as classes morriam ou adoeciam de febres e outros males. Ele era admirado por sua coragem física e moral, sua renúncia e estoicismo. A construção da velha ferrovia exigiu sacrifícios humanos, sem distinção de classe ou profissão, e o...

Bono Vox 114 está chegando!

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  Ao assistir A Máquina do Tempo (2002), há 20 anos, fiquei impactado com o personagem Vox 114 – um avançadíssimo sistema de inteligência artificial (IA) da Biblioteca de Nova York, num futuro próximo. Na superprodução americana de ficção científica, dirigida por Simon Wells e inspirada no romance homônimo do seu bisavô H. G. Wells, de 1895, o bibliotecário holográfico gerado por painéis de vidro interage com as pessoas como se pessoa também fosse. Solícita para qualquer indagação, a criatura virtual interpretada por Orlando Jones, diz ter “todo o conhecimento humano”. O programa de computador (bot) adicionado a esta adaptação do livro clássico me parecia à época uma versão evoluída do nosso velho e bom Google. Mas com o surgimento recente do ChatGPT – um AI bot ou chatbot treinado para responder quase instantaneamente e de forma humana às questões que lhe são colocadas –, creio que a empresa responsável por ele, a OpenAI, pode ter avançado mais objetivamente no rumo daquele mode...

A verdade está no vinho!

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Artigos de duas revistas que peguei na sala de embarque e no avião rumo a Salvador me deram uma conexão entre saúde e amizades. O primeiro texto falava de pesquisa médica no Japão sobre o fator positivo do consumo moderado de vinho para a cognição na velhice. Concluíram que a bebida estimulava neurônios dos prateados à medida que fermentava boa prosa. Em tom distinto, pessimista, a reportagem da outra publicação expunha a explosão da fobia social no mundo, detonada após a pandemia da Covid-19. Adolescentes e adultos jovens formam a maioria dos adeptos de um crescente auto-isolamento, com muitos simplesmente passando a desgostar de marcar encontros com pessoas da vida real, incluindo o melhor amigo. De absoluto rigor científico, ambas as investigações acabaram convergindo para sacadas típicas do senso comum. Não é que encontros com drinques e risadas resgatam memórias? Parece que o vício de telas está deixando menos atraentes para a garotada as horas de peladas no campinho e de paquera ...

Vozes do aquém

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Quando a humanidade se curva ao celular em ambos sentidos, sobretudo a sua parcela mais jovem, fico curioso sobre o saldo negativo dessa rendição, se será mais postural ou mais intelectual. Como pai de adolescente, a minha preocupação maior se alimenta hoje justamente de pesquisas que atestam prejuízos sociais e sanitários com a exposição abusiva às telas de aparelhos online. O que mais me assusta é o dado que indica o progressivo e inédito recuo de capacidade cognitiva das novas gerações em relação às anteriores. A extrema facilidade de acesso às informa ções deveria, em tese, ajudar a construir e a disseminar conhecimento, à medida que elimina a distância entre os saberes e os indivíduos de instrução incompleta. Mas a realidade nua e crua aponta para a direção contrária, em virtude de efeitos colaterais indesejados, tais como crescente desatenção, preguiça e insensibilidade. Assim fica até fácil entender o porquê de os líderes das maiores companhias de tecnologia matricularem seus fi...

Office boy no Paraíso

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Toda vez que tive a chance de aconselhar a garotada sobre qual rumo tomar na profissão, provocava eles parodiando antológica frase do poema Paraíso Perdido, do inglês John Milton (1608-1674). “Seu futuro vai depender de como responde à pergunta: quer ser CEO no inferno ou office boy no céu?”. Minha intenção era antecipar aos incautos a inquirição acerca do principal dilema na carreira: ou se começa humildemente por baixo em um lugar emblemático e rico em oportunidades ou se cede à tentação de subir rápido para o topo encarando menos desafios, mas cercado pela desolação geral.  A sede de poder do anjo caído Lúcifer, o personagem central da epopeia de Milton, é a mesma que leva gente talentosa e promissora a se desvirtuar no apelo dos atalhos. Ter fabuloso potencial não é, pois, sinônimo de sucesso merecido, valendo mais a vontade de escalar os picos mais altos e distantes. Se a classe operária pode voar até  o Paraíso nas asas do mérito, há também deuses do Olimpo que querem de...

A vida é um plano B

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“As coisas não serão do jeito que deseja e concessões terão de ser feitas. Isso não é motivo de decepção, porque o que está em jogo é o equilíbrio, e não a vitória ou a derrota”. O recado do astrólogo Quiroga postada ontem para os sagitarianos expõe algo que matuto há anos. Lutamos todo dia para conquistar o que desejamos ou que nos parece ser o melhor para nós. A vida, contudo, nos impõe ajustes para apontar limites e contemplar outros. Sim. Devemos perseguir os nossos sonhos, porque realizá-los nos enche de alegria e de significado. Não desista deles. Mas igualmente importante é ter flexibilidade para acolher o bom no lugar do ótimo, para esperar um pouco mais pela nossa vez e para compreender o valor da metade vazia do copo meio cheio. Além disso, grandes realizações da nossa existência são fruto do acaso e, por isso, é bom estar sempre aberto para as dádivas do céu. Recomendado pela escola de meu filho, o best-seller internacional O andar do bêbado, do físico e matemático Leonard M...

Dilemas jurídicos no Metaverso

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O ano de 2022 estreou sob o impacto de tendências tecnológicas, sociais e econômicas sob o eletrizante conceito do metaverso. Trata-se da aposta liderada pelas gigantescas empresas voltadas ao meio digital que promete revolucionar não apenas o mundo dos negócios, mas as próprias relações humanas. Por meio de avatares, os usuários da internet em três dimensões (3D), acessada por óculos, fones e outros equipamentos especiais, viverão “outra vida”, que combina a realidade física com o ciberespaço. Ao lado de oportunidades exponenciais e perturbadores riscos trazidos pela plataforma imersiva também grandes e inéditos questionamentos jurídicos. As rotinas criadas pela necessidade de distanciamento social na pandemia, com reuniões por videoconferência, alcançarão em breve experiências mais arrojadas, algumas delas já em teste até por redes varejistas. No seu rastro surgirão demandas como privacidade, direito de propriedade e outras que terão de ser delineadas em paralelo à chamada realidade ...