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Lição sertaneja de viver

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Momento 14-Bis

Sílvio Ribas Os brasileiros têm o maior orgulho dos gênios nacionais da música e do futebol, tendo no topo da sua lista de preferidos os reis Roberto Carlos e Pelé. Os cidadãos deste país também se mostram envaidecidos ao apontar nomes de pesquisadores locais que se tornaram, no século passado, destaque da corrida mundial pela inovação, como Vital Brazil, o criador de soros contra picadas de cobras e aranhas, e Alberto Santos Dumont, o pai da aviação. Em paralelo, outros tantos merecedores do aplauso de conterrâneos estão para ser incluídos no seleto grupo dos cientistas mais populares na memória da nação, caso do padre gaúcho Roberto Landell de Moura, precursor das telecomunicações. O sucesso dessa seleção de perfil mais acadêmico é, contudo, creditado pela maioria das pessoas como sendo exclusivamente fruto do ardor criativo e, sobretudo, da persistência dos filhos desta terra, que não desistem nunca. Os mais lembrados emergem em meio às tradicionais dificuldades do país no campo...

Indústria: inovação ou morte

Sílvio Ribas A indústria brasileira precisa investir em inovação. Repetida há anos como mantra por empresários, cientistas e autoridades, essa falsa unanimidade já deixou de ser uma opção. Agora como carma, inovar se tornou questão de sobrevivência em meio à concorrência global e uma chance de recuperar a competitividade perdida nos últimos anos. Muito além das promessas vindas da exploração do pré-sal e do orgulho com a safra recorde de grãos, empregos melhores e estabilidade econômica duradoura vão depender, cada vez mais, da capacidade de o país transferir conhecimento próprio à produção. O principal alerta para isso vem da balança comercial, que acumulou, de janeiro a abril deste ano, um deficit de US$ 6,2 bilhões, acenando o risco de fechar o ano no vermelho pela primeira vez desde 2000. Uma perspectiva de queda nos preços internacionais de alimentos e de minérios deixa o cenário ainda mais desafiador em favor da inovação. Apesar de figurar entre os 15 maiores polos geradores d...

Primeiro título do ano de 2 mil e galo

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Que país é este?

Sílvio Ribas Em 1978, quando ainda estava na banda Aborto Elétrico, Renato Russo compôs um de seus maiores sucessos, gravado somente nove anos depois, pela Legião Urbana. Uma das primeiras canções politizadas do rock nacional a se destacar, Que país é este? quase não foi lançada em disco porque Renato tinha a esperança de que o Brasil iria melhorar, a ponto de deixar caduca sua letra de protesto. Lamentavelmente, as razões para aquela crítica em forma de música continuam atualíssimas e deveriam levar a juventude a refletir mais sobre a realidade e os riscos que a envolvem. Com o seu peculiar vigor e com trechos de puro deboche, o mesmo estilo proibido recentemente nas provas do Enem, o bardo pintava um cenário de crescente violência e roubalheira que a democracia não conseguiu conter e, sob certos aspectos, até deixou se agravar. “Nas favelas, no Senado / Sujeira pra todo lado / Ninguém respeita a Constituição / Mas todos acreditam no futuro da nação”, cantava ele. Se estivesse vivo, t...

Produtividade é o nome do jogo

Sílvio Ribas Ainda é cedo para chamar os atuais distúrbios generalizados da economia brasileira de uma crise. Mas a deterioração dos chamados fundamentos macroeconômicos — que há até outro dia permitiam ao Brasil ser apresentado ao mundo como a bola da vez — não pode ser mais minimizada com discursos otimistas ou rechaçada pela reação indignada do Planalto contra supostos alarmistas da oposição. Até porque números oficiais já comprovaram as razões para a crescente preocupação. A balança comercial pode fechar o ano no vermelho, as contas externas degringolaram de vez, a artificialidade contábil não esconde mais a disparada da dívida da União e, por fim, a carestia, palavra que cheirava a mofo nos últimos anos, está no prato do dia de todos os cidadãos. Isso tudo sem falar dos saltos dos conhecidos rombos da Previdência e de um promissor declínio no ritmo de crescimento dos ainda espetaculares índices de consumo e de emprego. Para o governo, todos os problemas que enfrenta diariamente...

Paul sem grilos

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Sílvio Ribas Um jovem inglês de 70 anos pousou esta semana no cerrado goiano para relembrar a todos habitantes do mundo o quão importante é cada um celebrar e viver os próprios sonhos. No impecável show da última segunda-feira, presenciado por 40 mil fãs de todas as gerações e de diferentes origens, Paul McCartney transmitiu com canções e gestos simples mais de meio século de ensinamentos dos Beatles, maior grupo musical da história. “A vida é curta demais e não pode desperdiçar seu rico tempo com brigas e confusões” (I Feel Fine) é uma das minhas boas novas preferidas dos quatro fabulosos, recitada em Goiânia pelo mais produtivo evangelista pop. Foram muitas as lições presenteadas pelo autor de Yesterday , todas elas sutis mas altamente cativantes. Uma delas está na sua simpatia em respeitar e agradecer repetidamente ao público que o reverenciava naquela que foi a apresentação mais próxima de Brasília até agora. Outra está nos tributos sinceros que fez à memória de seus bons companh...