O pior filme que passou no Cine Virgínia
Sílvio Ribas
Assistir a um bom filme no Cine Teatro Virgínia era um ritual mágico na Curvelo (MG) dos anos 1970 e 1980. O imponente cinema, orgulho local, reunia gerações em torno da sétima arte. Vi ali clássicos memoráveis, sempre com olhos brilhando e guloseimas no colo.
Curiosamente, o que mais
ficou na memória foi o pior filme já exibido no Virgínia. Odisseia nas Estrelas
(1979), produção italiana de baixo orçamento, era tão ruim que se tornou cult.
Inspirado no sucesso de Star Wars, é um desfile de presepadas.
A trama mostra a Terra sendo leiloada em algum lugar da galáxia e arrematada pelo vilão Kress, de rosto quadriculado, que quer escravizar a humanidade. Sua nave domina facilmente as defesas terrestres, capturando humanos para trabalho forçado em massa.
Sem saída, autoridades recorrem ao professor Mauri, que reúne grupo improvável com militares, cientistas, um ginasta e um casal de robôs toscos, Tilt e Tilly. A missão é invadir a nave inimiga com material raro, enquanto Mauri enfrenta Kress em um duelo telepático decisivo.
Entre cenas na mata, em
ferro-velho e cenários precários, o grupo vence o exército de humanoides
prateados, resgata aliados e lança ataque final. Mesmo derrotado, o invasor
sobrevive e retorna ao leilão para revender a Terra, encerrando o filme de
forma abrupta e confusa.
Para piorar o samba do ET doido, a cópia se rompeu três vezes na sessão em Curvelo, e o projetista exibiu a terceira parte logo após a primeira. No demorado tumulto, um jovem atravessou o palco em aposta e acabou expulso, ficando um mês proibido de voltar ao cinema.
Dirigido por Alfonso Brescia, sob o pseudônimo Al Bradley, o filme entrega efeitos rudimentares, como espadas de papelão com alumínio. A trilha eletrônica insistente só ampliava o desconforto ao longo dos 103 minutos de aventura espacial precária.
Inaugurado em 1963 com Os Canhões de Navarone, o Virgínia marcou época. Tombado como patrimônio municipal, pode voltar em breve a integrar a vida cultural da cidade, preservando histórias — inclusive a das sessões inesquecivelmente ruins.

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