Vida pública na escola
O alvo do nosso engajamento
era a diretoria formada por estudantes de diferentes classes do Centro Cívico
Irmã Raimunda Marques, identificado em crachás e editais espetados nos quadros
de feltro com a sigla CCIRM. Para nós que nos candidatamos a esses postos, o
grêmio estudantil não era símbolo de autoridade, mas sim o laboratório de
civismo e de serviço responsável à comunidade.
Criamos a chapa UBC — Unidos
pelo Bem Comum, nome que parecia traduzir as nossas aspirações de meninos e
meninas que já vislumbravam algum propósito maior da vida em sociedade. A
caminhada até as urnas do pleito foi inventiva, quase profissional:
distribuíamos pequenas flâmulas de cetim vermelho com a sigla UBC, presas aos
bolsos dos apoiadores com alfinetes, como se fossem bottons de verdade. Olha aí
o marketing político.
Tocamos outras estratégias
inovadoras para a época e o ápice daquela aventura de uma dúzia de alunos
candidatos foi a participação no programa de Orlando Cardoso, na Rádio Clube de
Curvelo — a primeira vez em que dei uma entrevista na vida. A filha dele,
companheira de nosso time de democracia, declarou ao microfone, com a segurança
que me faltava: “Nós vamos ganhar.” E ganhamos mesmo, com estrondosa votação.
Como presidente do centro
cívico, sob a coordenação da dinâmica professora de português Maria das Graças
— a Cota —, mergulhei num cotidiano idealista que hoje parece algo pueril.
Distribuíamos cartões comemorativos em datas religiosas e patrióticas,
montávamos cavaletes com mensagens, organizávamos exposições de trabalhos
escolares, pequenas atividades recreativas e até eventos esportivos. Tudo
simples, mas cheio de sentido.
Eu, que tinha enorme
dificuldade para discursar, contava com o talento do nosso orador oficial,
Stanley Mariz — hoje um líder religioso na região metropolitana de Belo
Horizonte. Inteligente, simpático e dono de uma leitura impecável, ele dava voz
aos nossos projetos, encantava plateias e ajudou a conduzir a chapa tanto à
vitória quanto ao bom andamento do mandato. Era o meu pequeno grande tribuno.
No ano seguinte, disputaria
novamente a presidência — não sei sequer se houve chapa adversária. Mas lembro
claramente da sensação de que estávamos fazendo algo valioso, maior que nós
mesmos. Anos depois teria outra experiência parecida, também em Curvelo, como
presidente da ONG Corporação Organizadora do Desenvolvimento Cultural, a Codec.

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