Crases e crateras
Faz Tanquinho, Faz Água Branca, Faz Buriti… As placas avisavam, sem cerimônia nem ponto final de abreviatura no meio, que ali havia uma fazenda. “Faz”, assim mesmo, seco e direto, como quem apontava para o fazer de algo à venda. Para quem ia de Belo Horizonte à minha Curvelo, sobretudo após passa r Paraopeba, o significado involuntário soava poético. Sempre me diverti com essas e outras marcas pitorescas do caminho: bancas improvisadas vendendo queijo embrulhado em pano de cozinha, doce em barra, rapadura, redes penduradas, andarilhos silenciosos à beira da pista, matagais invadindo o acostamento e, claro, placas. Muitas placas. Algumas mais criativas do que deviam, sem pedir qualquer licença. Como tanta gente fazia — e ainda faz — em fins de ano e férias, viajei inúmeras vezes de carro para rever a família na cidade natal. Pela BR-040 afora e por outras tantas estradas secundárias, encontrava invariavelmente uma das grandes assombrações do interior mineiro entre as décadas de 1970...