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Mostrando postagens de maio, 2026

Amor escrito com Paper Mate

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  A Livraria e Papelaria Castro Alves não era só uma loja. Era uma instituição afetiva da Curvelo dos anos 1970 e 1980, um território encantado onde se misturavam papel, tinta, plástico, conhecimento e emoção. Entrar ali era entrar em um mundo de descobertas, sonhos e pequenas felicidades. A elegância de dona Terezinha Avelar ajudava a compor aquele cenário. Sempre impecável, sorridente e perfumada, ela transformava uma simples compra de folhas pautadas em uma experiência memorável. Muitos ainda recordam o cheiro dos cadernos, livros e embrulhos até chegar em casa. Situada no coração da cidade, a Castro Alves era mais que ponto comercial. Funcionava como referência cultural e intelectual de Curvelo. Por isso, o seu desaparecimento deixou vazio que jamais foi preenchido, como se uma parte da memória coletiva tivesse fechado as portas junto com a sua vitrine. Foi ali que conheci uma pequena joia da escrita. Em um universo dominado pelas onipresentes canetas Bic, transparentes e...

As batidas dos sinos da Basílica

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  Crescer na Rua Sete de Setembro, no coração de Curvelo, era viver em um compasso marcado pelo bronze. Eu habitava o intervalo entre dois marcos espirituais – a Matriz de Santo Antônio e a Basílica de São Geraldo. Quando o cair da tarde se impunha, o ar da cidade não apenas esfriava. Ele vibrava. Os carrilhões começavam o seu diálogo às 18 horas. De um lado, a Basílica majestosa dedicada ao santo italiano tão venerado pelo nosso povo; do outro, a Matriz, casa do real padroeiro do município, o português no qual enxergava fortes conexões da alma de Portugal em meu berço sertanejo. Para muitos, o toque dos sinos, seguido do som da Ave Maria, de Bach, era sinal de que a jornada terminava. Para mim, aquele era o som da melancolia incontornável — sentimento crepuscular partilhado pelo amigo Nixon Diniz. Eram badaladas do poema “Ó Sino da Minha Aldeia”, de Fernando Pessoa. Soando dentro de minh’alma, os repiques se fundem ao cenário de sombras que se alongavam pelas calçadas e vida...