Minha pequena sorte grande

Sílvio Ribas Ao longo da minha vida, certos fatos foram surgindo como sussurros da fortuna — dádivas singelas que me faziam crer no dia em que o destino me brindaria com algo maior. A verdade é que o meu sucesso ocasional em sorteios e jogos de azar em nada mudou os rumos da minha caminhada. Essas alegrias breves compõem a minha pequena sorte grande — esse curioso privilégio de ganhar sem frequência, sem método, só no acaso. E ela começou na minha sertaneja Curvelo (MG), lá nos anos 1980, no ponto mágico da lendária Esquina da Sorte, na borda da Praça Benedito Valadares. Entre imagens de santos, velas e outros objetos místicos, reinava ali pacificamente o sincretismo brasileiro e a fé cotidiana dos apostadores do jogo do bicho. Minha superstição adolescente se limitava ao trevo de quatro folhas e um a figa de madeira, comprados ali mesmo e sempre no bolso. Foi aos 12 anos, na Esquina da Sorte, que me ocorreu o primeiro assombro da pequena sorte grande. Na ida para a escola, ...